Os dias em azulão
- palavrasbrutas
- 8 de mai.
- 2 min de leitura

O ano era 2015 e não saberia dizer se era loucura ou inocência, mas fui no banco e peguei uma grana na caça de carro pra chamar de meu.
Foi amor a primeira vista, um corsa 99 sedan com uma cereja em cima desse bolo de lata que era um azul escuro lindo! Não segui o conselho de ver outros carros, já queria ele e isso o fiz.
Foram tantos roles e histórias que te arrepiariam a espinha, bons tempos.
Mas em determinado momento ele me deixava na mão porque eu deixava ele na mão. Ficava com preguiça de ir no posto e constantemente ele não saía do lugar até que eu pegasse um galão e jogasse gasolina pra ele. E de certo modo isso me fez pensar como me sinto, uma lata pesada que pouco se move sem combustível.
Devido as complexidades da vida com o carro não seria diferente, uma maldita luz acendia no painel e teimava em não querer apagar, fazia de tudo e ela lá, acesa e me alertando que o problema era mais profundo. E se tornou impossível não pensar em mim e como os alertas apareciam e eu não via. Pro carro mecânico. Pra mim a experiência de quem compartilha a vida comigo. Você não tá bem! Você não é assim.
Depois de quatro anos, o azulão me disse adeus com um azul triste e manchado, com várias cicatrizes da inexperiência. Só que ao contrário dele, não dá pra me levar no mecânico ou fazer uma funilaria.
Hoje o azulão sou eu, com um painel cheio de luzes piscando e torcendo pra avistar um posto de gasolina e conseguir voltar pra casa.
Edvaldo Ferreira

Criador do Palavras Brutas, escritor amador de ocasião.
Em busca de entender o que sinto através da palavras, ou se não, em busca da jornada constante de autoconhecimento e afeto próprio.
Fascinado com cinema e música.
Futuro agitador cultural.
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