Doces Mentiras
- palavrasbrutas
- há 2 horas
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Por mais que cuspisse veneno
Em cada mentira que me deste...
Não me sentia pronto para viver livre de você...
Confesso a verdade...
Bebo de ti,
Até as mais insalubres mentiras...
Como quem sabe que o gole envenena,
E ainda assim,
Ergue a taça.
Brindando...
Pedindo por mais...
Pois a alternativa pode ser ainda pior...
A verdade dói.
A ilusão,
É reconfortante...
Então confesso que eu te odiei,
Como nunca poderia odiar...
E ocorreu no mesmo instante em que te implorei para ficar...
Te quis como um louco,
Pois é loucura insistir assim em alguém que não faz bem...
Claramente eu sabia que era melhor te deixar...
Mas mesmo com toda consciência disso,
Me rastejei para que ficasse.
E por um tempo você ficou.
De ti,
Aceitei até as doces mentiras...
Até que você se foi...
Sem aviso prévio...
Sem chances de redenção...
E se o teu adeus tivesse sido só mais uma farsa...
Eu teria abraçado a mentira como quem beija a lâmina que corta.
É feio.
É doído.
É quase vergonhoso confessar...
Mas sou dependente daquilo que me destrói.
Sou dependente de você.
E ainda que eu veja a ruína no espelho...
Ainda que o mundo me aponte os restos...
Eu teria dado tudo...
Absolutamente tudo...
Para que a tua partida fosse só mais
Uma das tuas invenções.
Das tuas mentiras deslavadas...
Porque entre a morte lenta do teu amor,
E o vazio eterno da tua ausência...
Eu escolho mil vezes,
Morrer de ti.
Robson Machado

Robson Machado é escritor e poeta autista de 32 anos. Mineiro de Belo Horizonte, e escreve de forma intensa e profunda o que lhe vem a inspiração, como temas confessionais sobre amor, dor, morte, motivação e afins. Fortemente inspirado pela escola literária do Romantismo, hoje defende o surgimento de um movimento conhecido como Neo-romantismo.
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