O céu para uma mente torturada 2
- palavrasbrutas
- há 1 dia
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Você sente a minha falta, como eu sinto a falta ?
Quando me cria, criatura ou criação fazia tanto mal?
Tudo te irrita, nunca feliz ou radiante
E como um pneu com um furo pequeno demais pra ser notado, mas o pneu nunca ta cheio.
Como pode tamanha crueldade
Eu não conseguiria
Quando nos tornamos tão estranhos um ao outro
As vigas firmes hoje não passam mais segurança
Vão colapsar a qualquer instante.
O que foi quebrado de tão severo que não parece ter mais remendo?
Quando o próprio calor deixa frio, não há mais remédio?
Quando vejo seus olhos perdidos, escuros e tristes. O sorriso soa tão triste quanto o choro.
Já me meti em guerras, era um soldado quebrado, mas hoje a volta pra casa soa quase tão perigoso quanto os campos de batalha.
Não há mais sustância ou segurança, tudo prestes a cair e eu com uma oportunidade de escapar, e com o mais estranho medo de não sentir o peso ou dúvida, somente ir.
Hoje o céu parece estranho, alto demais e não existem mais formatos nas nuvens, somente frestas que aproximam a tempestade derradeira.
O fio que nos unia ficou poido e comido pelas pragas, e só não arrebentou porque não teve a distância o suficiente.
Os sonhos e esperanças, molhados por líquidos inflamáveis, onde sinto no vento o cheiro da faísca que vem pra atear tudo em chamas. Com fogo tão cruel que nem as cinzas seriam capazes de nutrir o solo.
Um grande buraco morto, onde ali existiu felicidade.
Edvaldo Ferreira

Criador do Palavras Brutas e escritor.
Em busca de entender o que sinto através da palavras, ou se não, em busca da jornada constante de autoconhecimento e afeto próprio.
Fascinado com cinema e música.
Futuro agitador cultural.
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