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Espaço (in)visível

  • palavrasbrutas
  • 3 de jun.
  • 1 min de leitura
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Eu fui engolido por uma cobra

Nem vi/entendi

Como aconteceu

Mas o que assustou no fato


É que nada senti


Dentro da barriga da cobra

Entre gases e sucos digestivos

Está eu, entre o estar e não estar

Um espaço vazio


O que a cobra viu em mim?

Uma oportunidade ou só um impulso

Mas lá estou eu

Sendo digerido pra ser vomitado


Não trago os nutrientes que ela precisa?

Não sou o suficiente


O espaço em branco do tempo

Um gesto animalesco

Eu arrebatado

Enquanto a fera descansa


Na sombra

A sombra que só enxergo agora

Que é grande e densa demais


Mas lá está eu

Na barriga da fera

Num estado vazio

Um espaço em branco


Edvaldo Ferreira


Criador do Palavras Brutas, escritor amador de ocasião.

Em busca de entender o que sinto através da palavras, ou se não, em busca da jornada constante de autoconhecimento e afeto próprio.

Fascinado com cinema e música.


Futuro agitador cultural.    

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